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A desinformação é um câncer!

Em cinco dias, duas vidas foram abreviadas. Dois seres humanos que perderam a vida para a bestialidade, a ignorância e a falta de empatia. Primeiro, foi a jovem Jéssica Abadia Vitória Dias Canedo de 22 anos. O nome de Jéssica foi envolvido em fake News depois que prints falsos que simulavam uma conversa dela com o humorista Whindersson Nunes foram compartilhados em perfis de fofoca em redes sociais. A moça foi massacrada com ataques na internet e não deu conta de continuar a viver.

Em seguida, a vítima foi o youtuber PC Siqueira. Em 2020, PC foi acusado de pedofilia e também foi massacrado nas redes. Depois, a investigação das denúncias foi feita pela Polícia Federal que não encontrou nada que pudesse comprovar o crime. O absurdo já estava feito e PC não conseguiu continuar a viver.

Jéssica e PC Siqueira não se conheciam e viviam geograficamente distantes, mas foram vítimas de um mesmo mal: o câncer da desinformação. E assim como o câncer convencional têm de vários tipos e tamanhos, porém, neste caso, é sempre maligno. Dentre os que possui o poder de corroer rapidamente a nossa saúde mental está o “Câncer das Fake News”. Ele não é raro, mas é extremamente agressivo, pois, junto dele, vem a opinião perversa e desumana do tribunal da internet. Só que a toga dos juízes digitais não é preta. Carrega o vermelho do sangue que eles ajudam diariamente a derramar.

E não é sem motivos que Jéssica e PC Siqueira foram acometidos pelo maldito “Câncer das Fake News”. Somos e estamos extremamente vulneráveis e ele. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o mais depressivo das Américas (OMS, 2023). A maldita doença que tirou a vida de PC Siqueira e Jessica causa dores sem precedentes na alma e tem como consequência a metástase do cancelamento. Primeiro, leva embora a saúde mental do sujeito e, junto com ela, vai se a paz, a dignidade, a imagem, a carreira, e, na pior das hipóteses, como aconteceu com Jéssica e PC Siqueira, a própria vida. Infelizmente, a depressão pode preceder o suicídio.

Não se pode florear ou romantizar. É bem verdade que o dedo que ajuda a compartilhar sem antes comprovar (se é verdade ou fake) também contribui para matar. Isso acontece todo santo dia quando você compartilha notícia de perfil de fofoca, vídeo do pelado que surtou no terminal de ônibus ou da pelada que transou com o namorado. Quando você destila todo seu ódio a pessoas que você nem conhece na internet. E não para por aí.

Ainda tem a maldita e perigosa polarização política e o compartilhamento de informações falsas sobre medicamentos ineficazes e crendices sobre vacinação. E este segundo ponto é uma baita preocupação da OMS. É que a vacinação infantil em todo mundo está sofrendo a maior queda dos últimos 30 anos. Doenças erradicadas como a poliomielite voltou em alguns países depois de décadas. Por exemplo, a cobertura vacinal contra a pólio no Brasil despencou de 96% em 2012 para 67% em 2021.

Ainda não existe (e nem vai existir) no mercado farmacêutico um remédio eficiente que possa atuar no tratamento direto dos sintomas e consequências do “Câncer das Fake News”. Por isso, o uso crônico de responsabilidade e respeito é extremamente recomendado. Use sem moderação!

Filipe Chicarino
Jornalista, contador de histórias humanizadas e mestre em Sociologia Política
@filipechicarino

As opiniões expressas neste texto são de exclusiva responsabilidade do autor convidado e não refletem, necessariamente, a visão ou posição editorial de O Parcial. Cada autor convidado é responsável por suas declarações, argumentos e conteúdos, reafirmando nosso compromisso com a pluralidade de ideias e o debate saudável e respeitoso.

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