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Batalha de Gerações

Temos visto um estranhamento no mercado de trabalho envolvendo o comportamento da Geração Z.

Na verdade, é preciso entender que estamos vivendo um grande e complexo encontro geracional. Atualmente, há uma coexistência de gerações, partindo da Baby Boomer até a Alpha, perpassando pelas potentes X, Y e Z.

Devemos observar se essa coexistência tem sido pacífica ou se estamos travando uma batalha de gerações. Digo batalha, pois muitas vezes essas relações estão mais pautadas em conflitos e desentendimentos, do que numa harmônica sinfonia de Beethoven (uma referência que pode passar batida, dependendo da geração à qual você pertence).

E, se até então, esses encontros se limitavam aos ambientes familiares, agora se propagam para as relações profissionais, o que tem tornado essas divergências ainda mais acentuadas.

Os profissionais do mercado – ‘das antigas’, estão se deparando com uma leva de jovens que não têm como princípio fazer carreira nas empresas. Se para a Geração Baby Boomer ou mesmo a X, sinônimo de sucesso era se manter em um mesmo emprego até se aposentar, para os jovens da Geração Z, é normal fazer rodízio em busca de algo que faça sentido para eles. Essas visões distintas têm causado estranhamento e ruído em diferentes setores.

Precisamos encontrar formas de estabelecer conexões e escapar desse labirinto sem saída, à la Caverna do Dragão (uma piada que só faz sentido para alguns de nós).

Sendo assim, gostaria de trazer alguns apontamentos sobre a Geração Z, na tentativa de aparar algumas arestas e quem sabe, mostrar para as demais gerações que podemos nos beneficiar com as diferenças.

Quando falamos de Geração Z, estamos nos referindo a nascidos de 1995 à 2010, ou seja, 20% da população brasileira. Eles são conhecidos como ‘nativos digitais’ por já terem crescido em um ambiente conectado, em que a separação de online e offline não faz muito sentido.

Além disso, aprenderam a interagir com o mundo, unindo diferentes formas de tecnologias disponíveis, estabelecendo hábitos sociais influenciados por essa virtualização dos conteúdos.

Se para muitos de nós, era preciso se deslocar para alguns ambientes, como lan houses (lembra delas?) para estar conectados, para essa geração, o celular é uma extensão do próprio corpo, o que os torna constantemente conectados.

Assim, vivenciam várias realidades ao mesmo tempo, absorvendo uma ampla e complexa quantidade de informações, utilizam as redes sociais como cartão de visitas e vivem se comparando com os demais, numa busca inalcançável por uma vida perfeita.

Estamos falando de uma geração que absorve muitos conteúdos, vive em um mundo acelerado, em que se prioriza rapidez e agilidade nas interações, mas com pouca capacidade interpretativa. Além disso, temos também a famigerada ansiedade por aceitação.

Ou seja, elementos suficientes para criar uma grande Torre de Babel (prometo que vou atualizar minhas referências), mas é preciso fugir dessa armadilha.

Como fazer isso?

Não tenho a fórmula mágica dos sucos Gummy, nem a receita secreta do bolinho de chuva da sua avó, mas alguns apontamentos que podem ajudar nesse entrave.

É preciso entender o que os motiva e criar canais de diálogo (Talvez você se pergunte: Por que eu preciso ceder e não eles? “Não seja cringe” – os novinhos entenderão)

Estamos falando de uma geração que prioriza a experiência no lugar do ter, que tem mais oportunidade e liberdade de expressão e são menos focados em dinheiro e mais focados em qualidade de vida.

Vamos utilizar essas características como forma de potencializar nossas relações, ajudando-os a entender que o excesso de informação não vira conhecimento da noite para o dia, e que o poder de interpretação é essencial para ser uma geração que gosta de ser fluida.

Se eles têm a autonomia como algo muito importante, nós precisamos aprender o poder da negociação e rever alguns paradigmas básicos (ninguém falou que seria fácil).

Por fim, mas não menos importante. É uma geração ansiosa e em busca de conexões e validação (principalmente a virtual), descubra como trabalhar feedbacks dinâmicos e opte por chegar até eles por meio de uma conversa, e não por uma palestra.

Lembre-se, você pode ter sido um jovem rebelde e sem causa, não se preocupe em vencer essa batalha, isso não é o mais importante (e tá tudo bem).


Felipe Dallorto
Doutor em Estudos Culturais; Mestre em Artes Cênicas; Pós-graduado em Literatura; Graduado em Comunicação Social. Uma pessoa simples com ideias mirabolantes.
@felipe.dallorto


As opiniões expressas neste texto são de exclusiva responsabilidade do autor convidado e não refletem, necessariamente, a visão ou posição editorial de O Parcial. Cada autor convidado é responsável por suas declarações, argumentos e conteúdos, reafirmando nosso compromisso com a pluralidade de ideias e o debate saudável e respeitoso.

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6 comentários

6 Comments

  1. Avatar

    Renata

    15 de março de 2024 at 11:54

    Eu amei essa leitura ! Leve, fácil e elucidativa.

    Cotidianamente sinto na pele essas batalhas. De cada round absorvo o que consigo. Tento ser uma geraçao x que acolhe sem tentar se fazer espelho .

    • Avatar

      Felipe Campo Dall'Orto

      15 de março de 2024 at 14:57

      Oi Renata,
      Muito obrigado, acho que é um dos grandes desafios da atualidade né, o que não necessariamente significa ‘vencer’ essa batalha 😊

  2. Avatar

    Victor Mazzei

    15 de março de 2024 at 13:56

    Que texto rico! Não dá para ficarmos lamentando sobre as práticas dessa ou daquela geração. O diálogo é necessário para ampliarmos repertórios e favorecer o entendimento. Parabéns pelo texto.

    • Avatar

      Felipe Campo Dall'Orto

      15 de março de 2024 at 14:56

      Oi Renata,
      Muito obrigado, acho que é um dos grandes desafios da atualidade né, o que não necessariamente significa ‘vencer’ essa batalha 😊

  3. Avatar

    Fabiano Mazzini

    15 de março de 2024 at 13:57

    Muito bom! Texto reflexivo e bem útil ao esclarecimento das interaçõee geracionais.

  4. Avatar

    Lucas Mariano

    16 de março de 2024 at 22:26

    Eu tenho muito dificuldade de lidar com funcionários dessa geração, acabam sendo muito relutante as vezes, como disse no texto, temos que entender o que motiva.

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